9.11.11

Patrícia, a fora de moda

Eu sou nascida e criada em uma cidade do interior que muito me ensinou sobre solidariedade, amizade, respeito e convivência.

Também por conviver com parte da minha família, que sempre foi muito humilde, aprendi a respeitar o ser humano, a tratar as pessoas com igualdade, a usar os pronomes de tratamento como Senhor e Senhora quando me refiro a pessoas mais velhas, a respeitar meus pais e a amá-los e fazer companhia à eles. Penso que muitas pessoas que lerem esse texto pensarão: isso está fora de moda. Pois estou sim fora de moda e educo minha filha para também não seguir nenhuma moda.

Nunca acreditei que dinheiro em excesso trouxesse felicidade. Aprendi que mais vale o calor de um abraço do que um caro brinquedo depositado na mão de uma criança (que certamente o deixará depois que a novidade deixar de ser importante – isto já constatado por mim), do colo oferecido sem pressa, do afago das mãos e das palavras sinceras de afetividade que mães se esquecem de proferir e sentir, trocando bens materiais, pela imprescindível presença do amor.

Sou simples, e me orgulho muito disso! Um orgulho que nunca me colocou acima de ninguém e que me ofereceu amigos vida a fora, de todas as classes sociais (não gosto muito dessa classificação), cultura e diversidades que sempre contribuíram e muito para minha formação.

Sinto-me mesmo fora de moda... Ensino minha pequena Maria a respeitar o outro, a ser querida, expressar o seu amor, e mesmo pequenina, a olhar nos olhos de quem fala com ela, dar bom dia para a bisa todos os dias e boa noite para o vovô e a vovó! Mostro como se regam as plantinhas, e ressalvo que elas precisam muito mais de carinho do que qualquer outra coisa!

Muitas vezes me perguntei se estou a educando adequadamente, em um mundo que insiste em negar a importância da família, em que o TER sobressai o SER, em que a correria do dia-a-dia nos transforma em pessoas sem sentimentos.

Na verdade, me pergunto tudo isso, não porque tenha alguma dúvida sobre o que o ensino, mas, porque já ouvi que muitos não se importam com isso nos dias de hoje. Mas eu me importo e sei também que ela se importará.

Penso que tantas situações de sofrimento e solidão poderiam ser evitadas se ao invés de comprássemos produtos caros e desnecessários, organizássemos nosso tempo para ir à uma festinha na escola, ajudar a babá na arrumação da mochila, olhar sua agenda todos os dias e depositar palavras de carinho e incentivo para aqueles professores que estão nos auxiliando nas relações de afeto.

Estou sim em desuso. Mas confesso a minha indignação ao quando alguns pais deixam de ir à pracinha com os filhos e enviam outras pessoas, as quais passam a integrar a família, não apenas por conviverem conosco, mas por oferecerem um papel muito mais presente que os próprios pais, mas que jamais substituirão a presença dos que ali deveriam estar.

Já dizia o poeta: “Só se aprende quando alguém nos ensina e não há forma mais lúcida e verdadeira de ensinar, do que o próprio exemplo.

Sábias palavras!

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