8.9.09

Um sonho de liberdade

Enquanto pensava durante o banho, e principalmente agora que tenho vivido uma fase particular na minha vida, venho aqui dividir um assunto com vocês.

Durante nossas vidas passamos por um processo de dependência que pode durar até um certo tempo ou pra sempre. Ninguém nasce com habilidades suficientes para comer sozinho, locomover-se, expressar-se, entre outras coisas necessárias para sobrevivência. Ou seja, todo bebê é totalmente dependente de alguém para executar ou intermediar essas funções por ele.
Quando crescemos um pouquinho, durante a infância, conseguimos fazer algumas atividades sozinhos, como comer, ir ao banheiro, expressar os sentimentos através de palavras e até mesmo ler e escrever! Porém, isso não nos garante total autonomia, precisamos que alguém faça a comida pra nós, que nos dêem dinheiro, levem à escola...

Durante a adolescência, ápice do rebeldismo, queremos cantar aos quatro ventos que somos independentes. Que temos maturidade pra sair todos os finais de semana, durante a semana ficar vidrados na internet e ficar horas no telefone com os amigos sem nos prejudicar nos estudos. Mera ilusão juvenil! Até termos nossa primeira fonte de renda, somos dependentes financeiramente dos pais ou de quem nos paga a comida, moradia, conta do telefone, da internet e tudo mais.

Tem pessoas que por passarem todo o início de uma vida dessa forma, acomodam-se nesse molde de dependência apenas passando a responsabilidade pra outros ao longo da vida: do marido, do irmão, da esposa, do avô, do papa ou sei lá quem. Outras querem se libertar do processo rumo à tão sonhada independência.

Entretanto, muitas dessas que se clamam independentes, avaliam apenas o critério financeiro. Pagam suas contas mas estão sempre dependendo de alguém para ser feliz, sentir-se amado e/ou reconhecido.

Chego à conclusão que a independência total é utopia, afinal, vivemos numa cadeia de interdependência, onde você não pode plantar o trigo, produzir o fermento, moldar e assar o pão para comê-lo antes de ir trabalhar, e por ai vai.

O que quero dizer é que o ideal é tentar se desvencilhar ao máximo das dependências desnecessárias, aquelas que você pode alcancar por seus méritos. Analise bem os setores que voce é dependente direto de alguém (excluindo, é claro, as necessidades interdependentes). Em cima de que pilares ou pessoas você está apoiando sua vida, e não esqueça que tudo que é sólido desmancha no ar! Nesse caso, as coisas abstratas como princípios e ideais são mais confiáveis que "coisas sólidas" como pessoas.

Lembre-se que durante todo o processo de libertação, sempre teve alguem que o ensinou, apoiou ou financiou. Seja eternamente grata à essas pessoas, mas não se atenha à essa almofada fofa da inércia, de poder dos outros sobre sua vida e menosprezo das suas potencialidades, pra sempre.
Beijo grande, gente!

Um comentário:

Carine Milani De Marco disse...

Pati! Muito bom seu texto! Tenho acompanhado seu blog.
As vezes precisamos refletir quase que diariamente sobre essa tal "liberdade" que nos impede de viver a vida, no entanto, não deixar de lado as pessoas que amamos e sim incluí-las nos nossos princípios de levar a vida adiante, pois estas é que nos levam a dar o primeiro passo.

Bjão flor.

Carine